domingo, 13 de julho de 2014

Alemanha x Argentina: Duelo de opostos na final da Copa do Mundo


Imprevisíveis por natureza e irônicos em determinadas ocasiões são os caminhos do futebol. Reservado para ser o palco da redenção do futebol brasileiro, 64 anos depois da derrota em 50, o Maracanã recebe neste domingo, às 16h, sua segunda final de Copa do Mundo, tendo o Brasil como espectador. No duelo entre Alemanha e Argentina, o país terá de escolher entre o time que humilhou os pentacampeões mundiais com os 7 a 1 da semifinal, no Mineirão, ou os rivais sul-americanos.

A terceira decisão entre alemães e argentinos — uma repetição inédita em Mundiais — opõe duas seleções que chegaram até aqui por diferentes vias e em realidades absolutamente opostas. Em busca do tetracampeonato, a Alemanha representa a consagração do jogo coletivo, do trabalho planejado de renovação do seu futebol e de um padrão de excelência: de 18 participações, foram 13 semifinais — as quatro últimas em sequência — e o recorde de oito decisões.


MESSI NO RASTRO DE MARADONA

A bicampeã Argentina, que não passava das quartas desde 1990, na Itália, quando foi vice-campeã justamente diante da Alemanha, faz seus torcedores sonharem com a repetição de 1986, no México. Na ocasião, o pé esquerdo de Diego Maradona, gênio solitário de uma equipe mediana, derrotou os alemães. A esperança, agora, se chama Lionel Messi. Um gênio capaz de aniquilar diferenças.

Diferenças que, aliás, vão além. A Alemanha tenta, após dois terceiros lugares, transformar em conquista a excelência do projeto de reestruturação de seu futebol. Na virada do século, percebeu que produzia jogadores de mais força do que técnica e que caminhava em descompasso com o que entendia ser o futuro do jogo moderno. Criou escolas de futebol, formou treinadores, educadores e privilegiou a qualidade técnica. Hoje, tem uma das melhores ligas do mundo e uma seleção que compete e encanta.

Já a Argentina, enquanto ainda produz talentos para exportar, vive o desgoverno em seu futebol doméstico. A violência esvazia estádios, obra de gangues ligadas até ao governo federal. Os clubes mergulham em dívidas e, no ano que vem, começa um campeonato com 30 clubes, dez a mais do que o atual: uma virada de mesa politicamente providencial.

Os alemães garantem: não se preparam para enfrentar o time de um homem só e veem na seleção argentina a organização que falta ao futebol do país.

— Este time não é só Messi. Se você acreditar nisso, estará cometendo um erro grave. A Argentina tem grandes jogadores. É claro que ele consegue determinar o andamento de uma partida, mas o time está muito mais organizado. Será uma final fascinante — afirmou Löw.

O treinador alemão tenta, ainda, conter o entusiasmo que tomou conta da torcida após a goleada sobre o Brasil.

—O jogo contra o Brasil não é a regra, quem pensar assim é porque não olhou com cuidado a Argentina. A final verá dois times do mesmo nível.

O meia Schweinsteiger concorda. Ele destaca a qualidade e a garra do adversário, personificada no volante Mascherano.

— A Argentina é um time excelente, que merece estar na final. Eles têm Messi, Di María, Agüero, Mascherano, que foi o líder dessa matilha de lobos. Na semifinal, ele conseguiu numa dividida evitar o gol de Robben.Isso mostra a atitude que eles têm pelo seu país — afirmou.

Já Alejandro Sabella, técnico argentino, admite que, diante da força do rival, o esforço será palavra de ordem para vencer.

— Teremos que fazer o jogo perfeito. Daremos nosso máximo, com humildade, sacrifício. Entregaremos tudo pela camisa, pelo país e pelo futebol.

Cativar os brasileiros parece parte da estratégia dos finalistas. Ao longo da Copa, os alemães abusaram dos gestos simpáticos. De dança com índios a fotos torcendo pelo Brasil pela TV. Após os 7 a 1, houve até pedidos de desculpas. Ontem, Sabella tentou equilibrar o jogo.

— Jogar a final é uma das maiores alegrias da vida. E ser no Brasil, o país mais ganhador do mundo, só aumenta o sentimento. Tenho muito respeito e sempre admirei o Brasil.


FICHA DO JOGO

ALEMANHA: Neuer, Lahm, Boateng (Mertesacker), Hummels e Höwedes; Schweinsteiger, Khedira e Kroos; Müller, Klose e Özil
ARGENTINA: Romero, Zabaleta, Garay, Demichellis e Rojo; Mascherano, Perez e Biglia; Messi, Higuaín e Lavezzi
Juiz: Nicola Rizzoli (Itália)
Local: Maracanã
Horário: 16h
Transmissão: Rede Globo, Band, Sportv, Fox Sports, ESPN e Rádio Globo

Fonte: O Globo
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