terça-feira, 20 de agosto de 2013

Fãs do Orkut: por que eles rejeitam o Facebook?

No longínquo ano de 2004, há quase 10 anos, a internet brasileira vivia um “boom”. Surgia o Orkut, projeto experimental de um funcionário do Google, Orkut Buyukkokten. A explosão da rede social no Brasil coincidiu também com a popularização da internet e marcou uma era no país.

Alguns anos depois, fica muito clara a decadência do serviço, abandonado por usuários que debandaram em massa para o Facebook, e pelo próprio Google, mais interessado em voltar seus esforços para o desenvolvimento de recursos para sua outra rede social, o Google+.

Contudo, ainda existem aqueles que defendem com unhas e dentes o Orkut e se recusam a trocar de lado, mesmo após a maioria de seus contatos tomar o rumo da rede de Mark Zuckerberg. Estas pessoas até hoje se organizam em suas comunidades, onde enaltecem as qualidades de sua página favorita, em detrimento das outras.

O principal elogio que se faz ao Orkut é sua organização. Enquanto o Facebook cria um espaço unificado para o recebimento das atualizações, o “Feed de notícias”, o Orkut possui espaços diversos, cada qual para um conteúdo específico.

“As comunidades são mais organizadas que os grupos do Facebook, por causa dos tópicos. Cada coisa tem seu lugar certo diferente daquela bagunça e poluição visual lotada de anúncios que tem lá”, explica a entusiasta Fabi Mendes. As comunidades, inclusive, são o principal fator que prendem os usuários ao Orkut.

Por muito tempo, principalmente no auge de sua popularização, o Orkut foi criticado pela vulgarização do conteúdo, principalmente quando as camadas com menor poder aquisitivo começaram a ter acesso à rede social. As críticas eram tão frequentes que os termos “orkutização” e “virar orkut”, embora denotem um forte preconceito de classe, caíram na boca do povo. Agora, com o esvaziamento da rede, parece que o movimento contrário está acontecendo.

“Antigamente, aqui no Brasil, todos usavam o Orkut e muitos só poluíam a rede. Agora todo esse povo foi para o Facebook. Agora lá está poluído e aqui está livre desta gente”, afirma uma usuária do Orkut, identificada apenas como Alicia.

E os números?
Por mais que ainda existam os defensores do Orkut, as estatísticas mostram que ano após a quantidade vai diminuindo. Se em 2011 o Brasil observava o balancear das redes sociais aguardando pelo momento em que o Facebook deixaria o Orkut para trás, hoje nos resta constatar a crescente queda deste que por anos foi o maior site do gênero no país.

Desde o ano da ultrapassagem, a participação do serviço do Google em termos de acessos fixos no Brasil diminuiu 95,6%, de acordo com números da Experian Hitwise obtidos pela reportagem. Em abril de 2011, antes de ser batido pela turma de Mark Zuckerberg, o Orkut detinha 50,51% de participação, percentual que despencou a 2,20% no mesmo mês de 2013.

Atualmente o Orkut figura como terceira rede social mais acessada por aqui, perdendo para o YouTube, que tem 18,48%, e para o Facebook com seus 66,54%. Só que o ask.fm já bate à porta, com 2,10%, e até o Yahoo! Respostas se aproxima, com 1,80%.

A boa notícia para o Google é que, além do YouTube, que não para de crescer, a companhia tem outro produto começando a se destacar. Em 2012 o Google+ nem aparecia no ranking, e agora surge timidamente com 0,78%.


A tendência para o Orkut é que cada vez mais ele seja incorporado ao Google+, criando uma transição suave. Os perfis já podem ser ligados nas duas redes sociais e algumas comunidades também já estão interligadas em ambas as páginas. Resta saber se haverá o interesse dos atuais usuários em fazer parte de uma rede que é muito mais parecida com o Facebook do que com o Orkut.

Fonte: Olhar Digital
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