domingo, 28 de julho de 2013

Cosplay: Uma brincadeira de gente grande


Fotos: Kleide Teixeira-Solon Baltar/divulgação
Filmes e desenhos animados japoneses inspiram os paraibanos que participam de competições
Quem, quando criança, se imaginou vestindo a fantasia de um super-herói, personagem de desenho animado ou game favoritos? A brincadeira ultrapassou o universo infantil e desde os anos de 1990 é coisa séria para muitos adultos. São os chamados Cosplays.
O custo para manter o hob-
by também não é coisa de criança. Para a confecção das fantasias são necessários produtos importados e as produções, ainda que simples, não saem por menos de R$ 80,00 e podem passar de R$ 1 mil.

Como o próprio termo sugere, Cosplay (Cos: traje, fantasia; Play: brincadeira) nada mais é do que uma brincadeira. É assim que os adeptos se sentem ao vestirem as fantasias: divertimento levado a sério.


É o que acontece com o empresário Vico Constantino. Ele e mais três amigos organizaram um grupo de Cosplay e se envolvem em eventos voltados para essa prática. O empresário conta que já produziu cerca de cinco personagens, que custaram entre R$ 60,00 e R$500,00.
“Para participar do primeiro evento, eu produzi minha fantasia em um dia. O último - que será o Coringa Enfermeiro - além da roupa, confeccionei um hospital e tive que comprar outros acessórios caros. Mas já fiz outros personagens com coisas que achei no lixo”, revela.

A estudante Joseane Soares integra o grupo de Vico Constantino e também produziu algumas fantasias. Assim como o amigo, os personagens preferidos da estudante são os animes (desenhos animados japoneses). Ela conta que descobriu a prática há dois anos pela internet, por meio de uma amiga e já fez Cosplay de sete personagens.


Há cinco anos a estudante de Jornalismo Jackeline Lira, 23 anos, tem o Cosplay como hobby. Este ano, ela encarnou Lara Croft (interpretada no cinema por Angelina Jolie) e fez a versão feminina de Mário Bros., famoso nos games dos anos de 1990.
As produções lhe renderam medalha de ouro em um concurso. Segundo a estudante, é preciso treino e uma boa preparação para convencer os jurados.


A mesma dedicação é seguida também pelo técnico em telecomunicações Tiago Nascimento. Ele conheceu o Cosplay em 2011. Investiu nas fantasias e conquistou o 1º lugar em campeonatos organizados na Paraíba e no Rio Grande do Norte. “Muita gente gosta de fugir da realidade usando drogas. Eu prefiro Cosplay e invisto nos personagens que gosto. Gastei R$ 800,00 na fantasia do policial do filme Resident Evil".

O estudante Sidney Eley faz Cosplay desde 2008 e confecciona as próprias fantasias. Já fez o personagem Angemon (Digimon) e Jaspion. Foi o primeiro paraibano a participar do Campeonato Nacional de Cosplay (YCC) e do Campeonato Nacional de Duplas (WCS). 

VONTADE DE VOLTAR AO PASSADO
Voltar à infância e relembrar os desenhos e seriados que fizeram parte desta fase da vida é uma das características de quem faz Cosplay. Segundo o psicólogo Flávio Lima, o hábito é saudável e ajuda a formar a personalidade. Para o psicólogo, a arte do Cosplay é uma maneira de promover a socialização entre um determinado grupo, principalmente quando são formados por adolescentes. “Quando o adolescente está formando sua personalidade e identidade, ele quer encontrar maneiras de se firmar e se sentir 'aceito'. Ou seja, construir o que você pensa de acordo com os seus pares. No caso do adulto, com essa prática, ele pode relembrar algo importante da infância dele. Este hábito é até uma forma de descontração”, explicou Flávio Lima.



ATIVIDADE FOI POPULARIZADA COM 'ANIMES'
Segundo o professor do Studio Made In Paraíba e organizador do evento de cultura pop HQ PB Janúcio Neto, o Cosplay chegou ao Brasil no mesmo período da exibição dos desenhos japoneses (os animes) nos canais abertos de TV, como os Cavaleiros do Zodíaco, Pokémon, Dragonball Z, etc.
“Esses desenhos 'puxaram' uma gama de outros produtos ligados à cultura pop e japonesa, como quadrinhos e revistas. Até que se começou a organizar, em vários estados do Brasil, eventos e campeonatos. Existem eventos no Brasil que servem como seletivas para o campeonato mundial, realizado no Japão. Aqui na Paraíba, o Cosplay evoluiu e está se difundindo bem”, explicou Janúcio Neto.


MERCADO
O Cosplay é considerado um mercado amplo para investimentos e quase não há lojas para estes artigos na Paraíba. Na busca em reproduzir fielmente os personagens favoritos, muitos jovens importam produtos pela internet, sobretudo do Japão e Estados Unidos.

A estudante e empresária Klarisse Lima percebeu essa carência no mercado paraibano e decidiu, junto com a mãe, abrir uma loja para confecção e revenda de fantasias especializadas para este público. O ateliê funciona há quatro anos e a maior parte das vendas é feita pela internet, por meio das redes sociais, para clientes de Minas, Rio de Janeiro e São Paulo.

Segundo Klarisse, as fantasias mais simples custam, em média, R$ 80,00. Mas, se a produção for de um personagem que requer mais detalhes e acessórios elaborados, o custo não sai por menos de R$ 500,00.

Matéria publicada no Jornal da Paraíba

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