domingo, 25 de março de 2012

FlashBack: Mushrambo (Shinzo) – O poder do coração

 
Conheçam o filme Mushrambo – O poder do coração.

O que? Você não reconhece esse novo? Bem, nem deveria. Mushrambo veio para as américas através da famigerada empresa Saban, que seguindo aquilo que quase sempre acontece, mudou muitos detalhes do original para “agradar” o mercado ocidental. Por isso a série acabou conhecida por aqui pelo nome de Shinzo. Se mesmo assim você não reconhece o título, Shinzo foi um anime presente no extinto bloco “Invasão anime” do saudoso canal Fox Kids (sim, eu gostava desse canal), na mesma época de Medabots, Shaman King, Mon Colle Knights e outros.

Em 2008 a Toei, responsável pela produção da série original, anunciou planos de trazer a série de volta através de dois movies de 90 minutos, onde os 32 episódios originais seriam condensados. O primeiro movie, “Mushrambo – O poder do coração”, foi lançado no mesmo ano e conta de forma reduzida a primeira metade da série.


A história dessa primeira metade acontece em uma Terra devastada por um guerra entre humanos e uma raça chamada Matrix (adaptada no Brasil para “Enterranos”). Os humanos perdem a guerra por causa dos poderes que essas criaturas tem, especialmente os sete Imperadores Matrix, entre eles o mais poderoso, Mushrambo. Trezentos anos após, uma humana chamada Yakumo desperta de uma câmara criogênica, descobrindo ser a última de sua raça. Na busca por respostas sobre o que aconteceu e com a esperança de encontrar outros humanso, Yakumo parte em uma jornada para encontrar um local conhecido como “Centro” (Adaptado para “Shinzo” no Brasil). Durante essa jornada Yakumo faz amizade com três poderosos Matrix; Mushra, Sahgo e Kutal. Porém, seu despertar é descoberto pelos Imperadores Matrix que iniciam uma caça pela última humana.


Resumir uma série em um filme curto nunca foi uma tarefa fácil, é só ver o número de filmes que a Gainax está produzindo para reescrever Evangelion. E mesmo com um diretor com algum experiência, Kenji Nakamura, “O poder do coração” falha consideravelmente no desenvolvimento do enredo, o que deixa tudo muito confuso boa parte do tempo. Ao contrário do caso de Dragon Ball Kai, em Mushrambo a Toei fez apenas cortar e colar cenas da série, sem nada novo. As coisas acontecem de uma forma rápida demais, negligenciando detalhes importantes para o seu bom entendimento.

Quanto a animação, primeiramente é preciso ter em mente que se trata de um anime do ano 2000, logo, é de se esperar uma qualidade técnica menor, ainda mais se tratando da Toei, que nunca foi conhecida por um grande primor técnico. O filme é uma grande inconstância nas animações, uma hora bem feitas, com traços bem marcados, em outras uma visível falta de empenho, o que já era de se esperar quando se junta cenas de diversos episódios diferentes.


O resto fica acima da média; todos os seiyuus são eficientes e bem escolhidos para cada papel. As músicas são empolgantes (e aqui eu devo dizer que a Toei quase sempre acerta em ditar o tom das suas séries com boas músicas) e sempre bem encaixadas nas cenas.

Mas a verdade é que a grande decepção desse movie se dá pela conclusão do roteiro. Olhando de longe, Mushrambo apresenta um roteiro shounen interessante. Nada novo, longe disso até, mas uma boa reunião. O problema é que o roteiro é mal explorado e termina com o que pior pode acontecer com um shounen: Criar inimigos tão poderosos que nenhum herói possa derrota-lo, o que obriga os roteiristas a apelar para coisas como “Poder do coração” ou “Soco da amizade” (sim, enquanto escrevo isso tenho em mente o final dado pelo estúdio Bones para Soul Eater!).


Se você, assim como eu, assistia e gostava dessa série, mas não conseguiu vê-la completamente, Mushrambo – O poder do coração vale apena pela curiosidade e pelo saudosismo. Mas se você estiver em busca de um novo bom shounen, esse movie certamente não irá lhe satisfazer.

Agora é esperar pelo segundo movie!
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