segunda-feira, 19 de março de 2012

Entrevista com Tim Burton

Convidado a presidir o Júri das longas-metragens do 63º Festival de Cannes, Tim Burton entregou a Palma de Ouro no dia 23 de Maio a um dos filmes em Competição.
Entrevista antes que ele desapareça por 12 dias nas salas escuras do Palais…

Festival: Qual é o primeiro filme de que se recorda?
Jasão e os Argonautas.
Festival: O que fez com que quisesse realizar filmes?
Ver filmes com monstros... Em Jasão e os Argonautas, o facto de ver as criações de Ray Harryhausen fez com que me quisesse tornar animador e/ou cineasta.
Festival: Que filme poderia ver vezes sem conta?
Há vários. Aqueles que se vê quando se tem vontade. É estranho, há um filme esquisito, Where Eagles Dare; cada vez que este filme passa na televisão tenho de o ver porque há nele um ambiente, na neve, depois a banda sonora e a tranquilidade... Acontece o mesmo com The Omega Man. Há alguns filmes que veria em qualquer altura, mesmo que os tivesse visto na véspera.
Festival: Qual a cena de um filme que lhe dá uma forte emoção?
Lembro-me da primeira vez que vi o King Kong cair do Empire State Building... fiquei muito emocionado! E é sempre assim no final de qualquer filme com monstros, quando eles morrem. Fico sempre muito triste e emocionado no fim de praticamente todos os filmes com monstros!
Festival: Foi marcado por alguma réplica de culto?
Rio-me sempre que Charlton Heston pergunta aos Zombies em The Omega Man: “Desde quando é que trabalham com o Fisco”? Esta réplica faz-me sempre rir!
 EB / VVE
Festival: Em que filme gostaria de viver?
Nos filmes que criam um determinado ambiente... Acho que em qualquer filme de Mario Bava. Sempre gostei do espírito desses filmes, da estética, portanto acho que gostaria de viver num desses filmes.
Festival: Que filme mostraria a alguém que estivesse a tentar seduzir?
Bem, lembro-me que tive um encontro uma vez num cinema ao ar livre, um dos meus primeiros encontros, e nessa noite passavam dois filmes: Clockwork Orange e Delivrance... Não os aconselho! Porque o encontro acabou por não correr como previsto!
Festival: Na pele de que outro realizador gostaria de passar algumas horas?
Penso em determinadas pessoas que nunca conheci ou encontrei, mas de cujos filmes gosto; por exemplo, gostaria de conhecer o Mario Bava, descobrir a sua personalidade, pois aprecio muito os filmes dele. Mas imagino que nunca terei a oportunidade de encontrar alguém como ele.
Festival: Que actor ou actriz gostaria de dirigir?
Na história? Sempre tive um fraquinho por Peter Lowry ou Boris Karloff... Mas tive a sorte de poder trabalhar com pessoas que admirava, como o Christopher Lee.
Festival: Que livro gostaria de adaptar para o cinema?
Acho que é difícil adaptar filmes. Tem de ser um livro que se considere ser muito bom. Ficaria muito reticente em adaptar um livro de que gosto, mas se não gosto, não gostaria de o adaptar.
Festival: Que final de que filme que gostaria de modificar?
Talvez Música no Coração, exterminá-los-ia a todos no final. Toda a família!
Festival: Na sua opinião, que evento ou invenção marcou um ponto de viragem na história do cinema?
Como o som e a cor? Sempre que aparece uma nova tecnologia, há um ponto de viragem. Existem muitos pontos de viragem, mas penso que seja justo dizer que o 3D não marca um ponto de viragem porque não acredito que se trate da única ferramenta em jogo. Mesmo quando apareceu a cor, continuei a gostar de filmes a preto e branco. Existem tantos elementos, ferramentas, é formidável ter tantas coisas à disposição. É como para a animação: quando apareceu a animação informatizada, parou-se com a animação desenhada. Felizmente, mesmo com os computadores, ainda encontramos desenhadores na animação. Portanto, na minha opinião, mais vale não pensar muito em pontos de viragem.
Festival: Na sua opinião, até onde pode ir o cinema?
O que há de melhor no cinema é a emoção e a história... Já existiam no início e estarão lá no final, seja qual for a tecnologia utilizada. É a vantagem do cinema: sempre teve uma espécie de pureza humana muito simples. É algo de bom. Tudo pode mudar constantemente e tudo pode acontecer e, no entanto, a maneira fundamental de afectar alguém é igual, o que é maravilhoso.
Festival: O Festival de Cannes é para si um ritual ou uma obsessão particular?
É um sonho estranho. Por isso façamos com que ele se torne realidade! Penso que é melhor não fazer muitos planos antecipados. Não acha?
Festival: O que prefere fazer quando não está a realizar filmes?
Gosto muito de passar o tempo a não fazer nada. É de facto nesses momentos que sou mais criativo, quando me contento em olhar por uma janela ou observar uma árvore. São momentos raros da vida, onde estamos desligados. E por isso gosto de passar o maior tempo possível desta forma porque acho que é nessa altura em que se é mais produtivo, estranhamente.
Festival: Há alguma pergunta que gostasse mesmo de colocar a alguém e a quem?
Penso no conjunto do governo britânico, para lhe perguntar “O que raio se está a passar?” E penso que todo o país gostaria de saber o que se está a passar
Site Oficial: Tim Burton
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