quarta-feira, 17 de março de 2010

O surgimento do Emocore: As mesmas angústias juvenis, mas numa nova estética.


Gerard Way fez sucesso cantando para multidões de adolescentes emocionados sobre a morte da pessoa amada e sobre todo o sofrimento que ela lhe causaria. O vocalista do My Chemical Romance, uma das mais cultuadas bandas do emocore, é um dos ícones de um subgênero da música pop cuja proposta é expressar sem limites nas canções e nas atitudes todas as suas emoções, notadamente aquelas relacionadas aos medos, angústias e desejos românticos da adolescência.



Não que isso fosse novidade na canção pop. Nos anos 80, Stephen Morrissey e Johnny Marr, dos Smiths, fizeram obras de arte sobre a infelicidade juvenil em canções como “Heavens Know I’m Miserable Now” e “Ask”. Mas os Smiths acabaram ainda nos anos 80, o The Cure já não era tão gótico nos anos 90 e o que restou do punk era agressivo demais para uma parte da adolescência que buscava na canção pop consolo para suas angústias. Havia, portanto, um espaço a ser ocupado por canções ao mesmo tempo emotivas e aceleradas, uma espécie de “emotional hardcore”.



Essa tendência começou a ganhar forma em meados da década de 80, quando uma nova vertente do punk rock começou a emergir em Washington (EUA). Em vez das críticas sociais e comportamentais, o grupo Rites of Spring produziu canções com letras mais introspectivas e sentimentais, cantadas sobre uma base sonora que alternava momentos da fúria punk com outros bem calmos. Estavam lançadas as sementes de um estilo classificado como “emotional hardcore”. As apresentações do Rites of Spring deixaram uma legião de admiradores e novas bandas, que misturaram letras e interpretações mais emotivas sobre uma sonoridade mais suavizada do punk. As bandas de emocore começaram a ganhar destaque na cena independente nos Estados Unidos nos anos 90.



Assim como em outras subculturas alternativas que se opunham aos valores dominantes, como o punk e o gótico, os fãs do gênero começaram também a ser estigmatizados. A diferença agora era que a popularização da Internet e das redes de relacionamento deu aos adolescentes que se sentiam diferentes a oportunidade de estabelecerem um círculo social sem limitações geográficas. Esse processo foi fundamental para o crescimento e a consolidação do emocore como uma nova estética jovem. A emotividade exacerbada nas canções refletiu-se no visual e muitas das referências do movimento gótico foram adotadas, como o uso de roupas pretas e os delineadores pretos nos olhos. Além disso, jeans apertados, piercings na face e no corpo e franjas caídas sobre os olhos ajudaram a criar uma identidade visual para os emos.

Fonte: Cick Uol
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